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2014

Escola gaúcha serve até churrasco e faz homenagens à merendeira

  • Escrito por  Assessoria de Comunicação Social do FNDE
  • Quarta, 25 Junho 2014 17:02
Escola gaúcha serve até churrasco e faz homenagens à merendeira Eduardo Aigner

Seja qual for a formatura na Escola Estadual de Educação Básica Professor Gentil Viegas Cardoso, uma coisa é certa: Carla Jaqueline Feijó dos Santos, a Jaque, será homenageada. Todas as turmas, tradicionalmente, fazem questão de retribuir o carinho e a dedicação que receberam dela, merendeira da escola.

“O outro dia ela estava com calos na mão, de tanto descascar legumes para a sopa”, conta a aluna Mara Rejane de Brito. “Ela tinha que trabalhar num restaurante”, diz outro admirador, o aluno Alexandre da Silva Prates.

Localizada na região metropolitana de Porto Alegre (RS), no município de Alvorada, a Escola Gentil atende a mais de 2 mil alunos, desde o ensino fundamental até a Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Jaque, que já morou no bairro, parece conhecer cada um deles. E não é raro ganhar beijos e abraços dos que estão na fila da comida. Ela começou na escola como auxiliar administrativa, mas já tinha noção de cozinha, por herança familiar: “minha bisavó, minha avó e minha mãe eram cozinheiras”, revela.

Das mãos de Jaque saem quatro refeições por dia: merenda da manhã, almoço, merenda da tarde e jantar. Parte da comida é fornecida por agricultores familiares da região, incluindo produtos orgânicos, ou seja, cultivados sem o uso de venenos ou insumos químicos. É o caso do arroz, produzido por assentados da reforma agrária no município vizinho de Viamão.

“O arroz é muito soltinho, tu não pega aquelas bolas, ele chega a se espalhar no prato”, constata Alexandre, que está terminando o ensino médio pelo EJA, com aulas à noite. Alexandre come pouco em casa. Sua principal refeição é o jantar preparado por Jaque. Depois de passar por um estresse relacionado ao trabalho, Alexandre passou a perder peso. Chegou a pesar 62 quilos. Em quatro meses, depois de começar o EJA – e frequentar o refeitório da escola – já ganhou nove quilos. “A comida daqui é excelente, muito gostosa! Gosto de me servir duas vezes. É a refeição mais substanciosa que faço no dia”, conta.

O filho de Alexandre, Victor Prates, de 20 anos, costuma dividir com ele a mesa do refeitório e a mesa da sala de aula – são colegas de turma no EJA. Victor trabalha numa rede mundial de restaurantes de sanduíches. Enjoa do cheiro e resvala no chão por causa da gordura. Sai do trabalho, passa em casa para tomar um banho e vai com o pai para a escola, a tempo de pegar o jantar. “A comida daqui é muito melhor. É boa mesmo”, comemora.

A professora Maureen Oliveira, responsável pelo funcionamento do refeitório, diz que o sucesso da alimentação se deve, também, ao fato de que todos ajudam quando é necessário. E que melhorou muito desde que o recurso para a alimentação escolar passou a ir direto para a escola.

“Antes a merenda ficava muito restrita”, resume. “Depois que a verba passou a vir diretamente para a escola, a gente faz com que o dinheiro renda”, diz.

O FNDE repassa recursos para a alimentação escolar por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). São atendidos pelo Programa os alunos de toda a educação básica (educação infantil, ensino fundamental, ensino médio e educação de jovens e adultos) matriculados em escolas públicas, filantrópicas e em entidades comunitárias (conveniadas com o poder público).

Atualmente, o valor repassado pela União a estados e municípios por dia letivo para cada aluno é definido de acordo com a etapa e modalidade de ensino. O valor varia de 30 centavos (para alunos do ensino fundamental, médio e EJA) a R$ 1, para alunos de creches.

Este ano, o orçamento do Pnae é de R$ 3,6 bilhões, para beneficiar 42 milhões de alunos. O dinheiro é transferido em dez parcelas mensais, para atender 200 dias letivos no ano, e deve ser utilizado na aquisição de gêneros alimentícios para a merenda escolar, sendo 30% empregados na compra direta de produtos da agricultura familiar.

Os recursos, porém, não garantem sozinhos uma boa alimentação. “Nossas merendeiras são maravilhosas”, reconhece a professora Maureen. Acrescenta que um dos segredos para o sucesso do refeitório é a participação de todos. “Eu mesma canso de lavar pratos, quando é necessário”, conta. “Todo mundo ajuda”, completa.

Para Mara Rejane de Brito, o jantar servido pela escola é um incentivo para a frequência às aulas. “Tem muitos colégios que não servem a janta. O pessoal fica com fome até as dez, dez e meia, e as pessoas desistem de estudar”, conta.

O jantar do Gentil fez tanta fama que os alunos passaram a trazer as famílias. “Aí, a gente conversou com eles e explicou que não podia, que a alimentação é só para os alunos, e o problema se resolveu”, conta Maureen.

Em ocasiões, porém, é preciso atenção redobrada para restringir o público, principalmente quando fazem parte do menu alguns dos pratos de maior sucesso: cachorro-quente, estrogonofe, macarrão – quando vão para a panela 120 pacotes de massa – e pratos típicos da culinária gaúcha, como galeto e, sim, churrasco. “Fazemos churrasco pelo menos uma vez por ano, na Semana Farroupilha (em setembro). Os alunos trazem de casa churrasqueiras, carvão e parte da carne. A escola também fornece outra parte da carne e acompanhamentos”, conta Maureen. As churrasqueiras são instaladas no pátio e assim que as primeiras carnes vão para as brasas, o vento se encarrega de espalhar a notícia pelo bairro. Uma prova de resistência para os vizinhos.

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